Imagem capa - Eu, Lyana. por Aline Spezia
depoimentos

Eu, Lyana.

Era abril de 2017 quando a Aline - já nos conhecíamos dos casamentos - me ligou. Ela soube por uma grande amiga em comum que eu provavelmente gostaria de participar de um projeto novo que ela estava preparando. Eu topei na hora e passei de consultada a cobaia ansiosa em poucos segundos. Não podia esperar! Já conhecia o olhar da Aline e sabia que seria uma grande oportunidade.


Não foi uma oportunidade. Foi um presente. Foi uma libertação. Virei a página.


Desde pequena tive meu corpo criticado e fui pressionada permanentemente a modificá-lo. Venho de uma família de magros e pequenos - meus irmãos são magros por natureza, meu oposto - e eu nunca me senti aceita. Me lembro do meu aniversário de 10 anos: usava um conjunto cor de rosa pink justo, que apertava e marcava minha barriga. 

Eu nunca me senti bonita quando adolescente.

Tenho inúmeros relatos sobre essa “não aceitação”, esse estranhamento do próprio corpo.
Emagreci “na louca” 2 vezes na vida: para minha formatura de segundo grau e para meu primeiro casamento.
E aqui eu deixo um pedido honesto a mães e pais: aceitem seus filhos como eles são e os incentivem a se aceitarem. Valorizem suas qualidades e não apontem seus defeitos. A gente melhora caráter, molda educação, ajusta comportamento, mas não há mãe castradora ou crítica que mude biotipo. Recebemos nosso corpo quando nascemos, de vocês. Respeito, por favor. Seus filhos e filhas serão melhores e mais felizes com respeito.

Cheguei para a sessão de fotos de maneira muito objetiva: minimamente maquiada e só de macacão. Não dava pra ter pudor ou vergonha. Tirei o macacão e estava nua. Mais fácil assim.
Nem preciso dizer que tudo flui e o tempo corre. No final eu aposto que vc vai achar pouco, vai querer mais, vai estar tão bem com seu corpo nu e exposto que não vai querer se vestir pra sair dali. Essa é a libertação.
O presente vem depois: as fotos! Ah, as fotos! Eu amei tanto que queria postar meus seios publicamente nas redes sociais. Eu, gorda e grande, tenho 1,75 de altura e peso 100kg, nunca havia pensado em mostrar uma foto nua de corpo inteiro para alguém com absoluta segurança, me sentindo plena, bem, gostosa e poderosa. Foi esse empoderamento que sustentou minha mudança. Eu sou, eu posso!
Essa experiência mudou minha atitude: escolhi roupas mais justas sem medo, aceitei minha silhueta e minhas marcas como um retrato fiel de quem eu sou e amo ser. E melhor: a opinião alheia não importa mais. E nos raros casos em que ela importa - como a opinião do meu marido, por exemplo - a atitude segura, despudorada, orgulhosa e ousada de mulher que se aceita se sobrepõe a qualquer celulite, cicatriz ou dobra.

Se eu indico? De olhos fechados. Para você abrir seus olhos e sair do casulo.